Uma ex-funcionária da União de Freguesias de Ruivães e Novais, em Vila Nova de Famalicão, está a ser investigada pela Polícia Judiciária, suspeita de ter desviado mais de 15 mil euros da junta de freguesia. O caso veio a público quando o Presidente da União de Freguesias, Duarte Veiga, admitiu que o valor do desvio poderá ser ainda maior, e revelou que já foi levantado o sigilo bancário para permitir uma investigação completa.
Duarte Veiga afirmou que o desvio terá ocorrido ao longo de dois anos, entre 2020 e 2022, estimando o montante em aproximadamente 15 mil euros. No entanto, não descartou a possibilidade de a quantia desviada ser mais elevada. A funcionária, que prestava serviço na junta há cerca de 15 anos, foi despedida no início de 2023 após a descoberta do desvio de dinheiros públicos.
O Presidente da União de Freguesias explicou que a ex-funcionária, encarregada de entregar recibos aos fregueses, apagava esses documentos do sistema da autarquia, especialmente referentes a compras de sepulturas. Além disso, a acusada substituía os IBAN dos fornecedores por dois IBAN de sua propriedade. Esta prática resultou em faturas pendentes, apesar das contas da autarquia indicarem que todos os fornecedores estavam em dia com os pagamentos.
Duarte Veiga contou ainda que a funcionária confessou os desvios, e atualmente está a ser realizado um levantamento minucioso de todas as situações para determinar o valor real em causa.
Num comunicado emitido hoje, o PS de Vila Nova de Famalicão acusou o presidente da União de Freguesias de Ruivães e Novais de não ter esclarecido “o que se passou de facto” na última Assembleia de Freguesia, questionando a sua responsabilidade política no caso.
À Cidade Hoje tanto o autarca como o Presidente da Assembleia de Freguesia negam as acusações. Joaquim Pinto afirma que o processo de suspensão e posterior despedimento da funcionária foi abordado nas assembleias de freguesia e que o mesmo assunto consta das atas e gravações do órgão deliberativo.
Duarte Veiga assegurou que a investigação da PJ está em curso, e que o executivo está totalmente empenhado em esclarecer todos os detalhes. “Estamos a falar de dinheiro público, que é de todos. Não há qualquer silêncio nem qualquer cumplicidade. Há uma investigação que está em curso e com a qual estamos a colaborar inteiramente”, concluiu o autarca.
A nossa redação tentou uma reação por parte dos eleitos do PS na Assembleia de Freguesia, o que não foi possível até ao momento.