Até outubro, o centro da cidade está coberto por uma teia de arte feita de desperdícios da Riopele, nomeadamente as aparas de final da produção de um tecido, a chamada “Ourela falsa de tear”.
O Fio Condutor que une os Paços do Concelho, desfia-se pela Rua Adriano Pinto Basto e pousa na estátua D. Maria II, rainha fundadora do concelho. A instalação artística de Madalena Martins recria o processo têxtil desde a transformação do algodão em fio e deste em tecido.
Os troncos das árvores centenárias dos jardins dos Paços do Concelho servem de suporte ao algodão, a matéria prima que dá origem aos fios brancos que partem das copas das árvores. A partir dali os fios encontram-se, cruzam-se e criam uma teia, ancorados em pontos que a rua oferece, moldam-se à sua arquitetura, criando um desenho irregular, mas coeso, leve, mas seguro.

Pela Rua Adriano Pinto Bastos segue a instalação, recriando a tecelagem. No ar, são detetáveis imagens que sugerem os teares que trabalham os fios. A determinada altura, a linha branca tinge-se de vermelho numa referência ao processo de tinturaria têxtil.
A partir do emblemático edifício da Íris, uma cor vibrante e quente sustenta um novo fio que rompe o percurso de forma livre e criativa, carregado de luz e energia própria. Avança no mesmo sentido, mas com a curiosidade de quem procura novos caminhos.
Toda esta trama prolonga-se pela Praça D. Maria II até às mãos da estátua de D. Maria II que recebe os fios e os transforma em tecido tricotando a sua própria saia.

A instalação “Fio Condutor” foi inaugurada na tarde do passado domingo, Dia da Cidade, e pode ser vista até outubro.
Para a construção da instalação foram reutilizados desperdícios da Riopele, parceira da iniciativa. Da histórica empresa têxtil de Pousada de Saramagos saíram quase três toneladas destes resíduos transformados em matéria prima da exposição, numa referência à importância da sustentabilidade ambiental e ao processo da economia circular.
Famalicão ostenta a marca Cidade Têxtil de Portugal e o Fio Condutor é uma homenagem ao setor, uma força empreendedora, de investigação e desenvolvimento de um território a quem foi atribuído recentemente a chancela de Região Europeia Empreendedora 2024, pelo Comité Europeu das Regiões.