As Hortas Urbanas, localizadas na Avenida dos Descobrimentos, têm 180 pequenos lavradores. Cada um cuida do seu pequeno talhão de terra, que tem entre 25, 50 e 100 m2. Nestes pequenos espaços, as pessoas são livres de fazerem as suas sementeiras e plantações, de acordo com a sazonalidade, tal e qual qualquer agricultor da aldeia.
Neste arranque da Primavera, é possível ver o remexer da terra, o adubar e o semear de novas plantações. Para estes agricultores citadinos é uma oportunidade para acrescentar ao cabaz alimentar produtos frescos a baixo custo, compensado o aumento do custo de vida.
Mas para muitos destes hortelãos, o cultivo da terra é também uma terapia ocupacional, para aliviar o stress do dia a dia. É o que acontece com Sameiro Amorim, que aos 80 anos, esquece todas as dificuldades da idade. É utilizadora há quase uma década e diariamente vai das Lameiras para a horta, fintando a solidão. É apenas um exemplo, há muitos outros.
Não é só a ajuda à economia doméstica, a promoção da saúde mental ou o combate ao envelhecimento ativo, nas hortas urbanas é valorizada a vertente da economia circular, porque os resíduos orgânicos, como as aparas de relva e a estilha de podas das árvores da cidade são usados como fertilizantes para os talhões.
Há um outro aspeto que o município considera relevante e que tem a ver com a inclusão. Além das hortas elevadas para quem não se pode baixar por problemas de saúde, existe a integração de jovens que trabalham para o município ao abrigo de programas para pessoas com necessidades especiais. É o caso de Diogo Araújo, de 26 anos, e de Manuel Silva, de 21, que trabalham na manutenção do espaço. Diogo destaca o prazer de «trabalhar ao ar livre»; Manuel fala de uma porta que «dificilmente se abriria noutro lugar». Além de zelarem pelo espaço ajudam quem ali trabalha nas hortas.
Para o presidente da Câmara Municipal, Mário Passos, este projeto representa «o compromisso do concelho com uma agricultura sustentável que coloca as pessoas no centro». O autarca acrescenta ainda que estes espaços são um bom exemplo de «que o cultivo da terra em ambiente urbano é uma ferramenta poderosa para a saúde mental, para o envelhecimento ativo e para a integração dos cidadãos».
Os interessados em juntar-se a esta comunidade podem candidatar-se através do formulário disponível em www.famalicao.pt ou no Balcão Único de Atendimento, podendo o documento ser entregue presencialmente ou via e-mail para camaramunicipal@famalicao.pt. Todos os hortelãos têm de frequentar, obrigatoriamente, uma formação gratuita de 12 horas em Agricultura em modo de Produção Biológica disponibilizada pelo município.