«Famalicenses, como vos estou grato. Muito obrigado», manifestou o homenageado, dirigindo-se ao auditório, onde estavam amigos, advogados, sindicalistas, autarcas e antigos colegas de trabalho na Mabor, além de três cidadãos honorários de Famalicão: o comendador Carlos Vieira de Castro e os antigos presidentes da Câmara Municipal Agostinho Fernandes e Armindo Costa.
«É um privilégio sermos cidadãos deste concelho», enfatizou, a terminar a cerimónia que decorreu no dia 25 de abril.
O advogado e escritor, de 90 anos, que viu o seu percurso e legado reconhecidos pelos famalicenses, continua focado no futuro. Reconhecendo que o desenvolvimento industrial fez de Famalicão «uma pérola preciosa», pediu que os jovens e os agentes culturais se envolvam mais nas decisões do concelho.

Participaram na homenagem a Associação Portuguesa de Escritores, a Ordem dos Advogados Portugueses, a Câmara de Famalicão (representada pelo vice-presidente) e a Casa da Memória Viva, autora desta homenagem.
O autarca salientou «a dimensão e a projeção nacional» da obra literária de Salvador Coutinho, assim como o «prestígio» de que goza no meio judiciário; além da sua dimensão política, expressa, entre outras formas, como deputado municipal.
«O tempo, a congruência dos valores cívicos, a dedicação quase missionária à advocacia, a singularidade da técnica poética e, sobretudo, o poema não escrito que mais brilha na vida de Salvador Coutinho há muito justificavam um gesto de coletivo reconhecimento por parte da comunidade famalicense», defendeu Carlos de Sousa, da ACMV.

Nesta sessão de homenagem foi apresentado o seu mais recente livro, que reúne 71 poemas, que remetem o leitor para os anos de adolescência de Salvador Coutinho, vividos na Rua da Liberdade. No final houve uma conversa entre Salvador Coutinho e antigos moradores dessa rua. Esteve presente Vítor Paneira, antigo jogador de futebol que ali viveu e jogou muitas vezes.
Uma oportunidade para recordar o tempo em que aquela artéria tinha «duas padarias, três sapateiros, uma mercearia e um talho, um barbeiro, três tascos, um mecânico de bicicletas, uma recoveira, um alfaiate, um funileiro, uma loja de roupas e tecidos e uma fábrica têxtil, a fábrica de Sebastião Ferreira Mendes, que foi presidente do FC Porto. E, claro, a farmácia dos meus pais», descreveu Salvador Coutinho. Com saudades da pujança de outros tempos, várias pessoas deixaram críticas por causa dos problemas arquitetónicos, sociais e de planeamento e pediram intervenção da Câmara.
O livro pode ser adquirido na livraria Fontenova, em Famalicão, ou através do site da editora, em www.elefante-editores.net.