Margarida Malvar, a primeira famalicense a licenciar-se em Direito e a exercer advocacia no concelho, será homenageada pela associação Casa da Memória Viva. O tributo é prestado na tarde do dia 1 de dezembro, às 17 horas, na Casa das Artes, com um concerto pelo Coral de Letras da Universidade do Porto, dirigido pelo professor Fausto Neves. Trata-se de uma das formações de música vocal mais prestigiadas do país. O programa da homenagem, que incluiu declamação de poesia e algumas intervenções, foi apresentado esta quinta-feira, no salão nobre da Junta de Freguesia de Famalicão/Calendário, por Carlos Sousa.
A homenagem, para além de reconhecer «a profunda atividade cívica e política de uma mulher de coragem» serve, ao mesmo tempo, para cumprir um dos desígnios da Casa da Memória Viva: «enaltecer personalidades que iluminam a comunidade neste tempos cinzentos que vivemos», referiu o presidente da associação. É, por isso, chegado o momento «de agradecer o que fez por nós, pelo exemplo de vida e pelos caminhos que rasgou. O concerto pelo Coral de Letras da Universidade do Porto é uma forma singela, bonita e digna de homenagear tão insigne famalicense».
Perante as filhas de Margarida Malvar – Rita e Joana – Carlos Sousa abordou o percurso de vida da homenageada enaltecendo, por exemplo, a sua ação no movimento sindical e a luta pelos direitos da Mulher, antes e depois do 25 de Abril. «Quando se fizer a história do movimento sindical e dos direitos da Mulher, o nome de Margarida Malvar vai lá estar», anotou o presidente da Casa da Memória Viva.
No concerto do dia 1 de dezembro, aberto a toda a comunidade, o Coral de Letras da Universidade do Porto estará em palco com 35 a 40 coralistas, com um reportório de 9 das canções heroicas de Lopes-Graça.
Maria Margarida Braga Malvar nasceu em Gavião, há 78 anos, sempre viveu em Famalicão e, enquanto advogada, presidiu à delegação concelhia da Ordem dos Advogados, entre 1990 e 1992, instituição que recentemente lhe atribuiu a sua “Medalha de Honra”.
Mantém, desde antes do 25 de Abril, uma intensa atividade cívica e política, tendo sido uma das poucas mulheres candidatas pelas forças da Oposição Democrática nas eleições para a então Assembleia Nacional, durante os 48 anos de fascismo. Aconteceu em 1969, quando Margarida Malvar, então com 25 anos, integrou a candidatura da CDE por Braga. Depois do 25 de Abril, teve um papel importante na defesa e consagração institucional dos direitos das mulheres trabalhadoras e foi autarca em Vila Nova de Famalicão.
Em 1982, substituiu na Câmara Municipal o eng. António Pinheiro Braga – que havia presidido à Comissão Administrativa legitimada pelos militares de Abril – e pouco depois renovou o lugar na vereação, ao ser eleita pela APU – Aliança Povo Unido, no mandato 1982/1985. Posteriormente, ainda foi deputada municipal.
Em 2004, pelas mãos do presidente da Câmara de então, Armindo Costa, foi agraciada com a “Medalha de Honra do Município”.
Em 2014, foi homenageada na Assembleia da República, a par de todos os advogados dos presos políticos na ditadura do Estado Novo, numa iniciativa do “Movimento Não Apaguem a Memória”.