A Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP), sediada em Vila Nova de Famalicão, avisou que, devido ao aumento dos preços da energia, mais de metade das empresas do setor dos acabamentos está a optar por fazer paragens temporárias. «Dada esta situação, a confeção está a perder encomendas da nova coleção para países como a Turquia», referiu o presidente da ATP, Mário Jorge Machado.
«Comparada com a situação atual, a crise da Covid-19 foi um passeio tranquilo e, se não forem adotadas medidas como o lay-off simplificado, toda a fileira têxtil pode parar», afirmou Mário Jorge Machado, em declarações ao Expresso. De acordo com o presidente da associação, o setor e o país enfrentam a «iminência de insolvências, se não forem implementados mecanismos como o lay-off simplificado no pacote de ajudas diretas às empresas».
«Mais de metade das empresas têxteis do subsector dos acabamentos, designadamente tinturarias e lavandarias, já está a efetuar paragens temporárias de um ou dois dias, devido à escalada dos preços da energia», notou o presidente da associação. Mário Jorge Machado notou ainda que, se o setor dos acabamentos parar, vai gerar-se um corte no circuito de produção dos têxteis e «toda a fileira acabará por parar».
O empresário destacou a «urgência do lay-off simplificado como mecanismo essencial para a sobrevivência de muitas empresas». «Parando um ou dois não têm de suportar os encargos de energia e, assim, reduzem perdas, sem ter que fechar de vez», acrescentou.
Além do lay-off sugerido pelo líder da ATP, a Comissão Europeia poderá, em ajudas diretas, ceder até 400 mil euros às empresas. No entanto, segundo o presidente da associação, «é preciso perceber quando [é que esses apoios] vão chegar».

