A Associação Dar as Mãos, que em maio comemora 29 anos, candidatou-se ao Plano de Recuperação e Resiliência, com um projeto – Casa – que visa capacitar, através de oficinas, e dar um teto, seja em caráter de emergência ou de transição, a pessoas sem qualquer retaguarda e que garanta o seu bem-estar, particularmente aos sem-abrigo.
O projeto orçado em 2,5 milhões de euros contempla a construção de dois edifícios com capacidade para albergar 32 pessoas adultas e quatro agregados familiares. O alojamento será edificado nos terrenos onde o Município aprovou uma unidade de execução urbanística, na zona de Pelhe e Queimados, em Calendário, que entre outras valências, albergará, também, a nova Unidade de Saúde Familiar de S. Miguel-o-Anjo. A Dar as Mãos aguarda que o Município faça a escritura de doação do terreno para fechar a candidatura que, acredita, que será a cem por cento. «Se assim não for, temos condições financeiras e bom nome na banca, para suportar o que possa faltar», assumiu Agostinho Fernandes.
Na conferência de imprensa de apresentação do projeto, na tarde desta quinta-feira, o líder da associação falou de um projeto inovador de cidadania, saúde e de desenvolvimento socioeconómico, desenvolvido em parceria com a Segurança Social, «que facilitará a integração de cidadãos vulneráveis, desafiando-os para projetos de vida com atividades que promovam a socialização, a reintegração pessoal, familiar e profissional», indutoras «da melhoria da auto estima através da ocupação em atividades produtivas. Tudo só tem sentido se dermos uma resposta humanista de cuidar e fazer do outro um cidadão de corpo inteiro», explica Agostinho Fernandes que estima que a obra esteja no terreno até ao final deste ano.
É um projeto para a região, «e não apenas para Famalicão, que vai beneficiar todos aqueles que apresentem problemáticas associadas à pobreza e exclusão social».

A “Casa” contemplará, no futuro, dois outros edifícios para serviços logísticos e oficinas, com os terrenos circundantes a receberem, ainda, uma área para horta com uma estufa.
A proximidade com a zona urbana, a facilidade de acesso a transportes públicos e a experiência da instituição no apoio social aos mais necessitadas, com 27 anos de auxílio aos sem-abrigo, foram itens valorizados pelo máximo nesta candidatura, explicou Francisco Barreiro. O Arquitecto responsável pelo projeto, que é também membro dos órgãos sociais da instituição, destacou, ainda, que a “Casa” será de nível térreo, «um edifício simples», eficiente em termos energéticos, pela orientação solar adequada, pelo aproveitamento da iluminação natural, o uso de materiais eficientes e a colocação de painéis fotovoltaicos.
As oficinas serão de agricultura, costura e recuperação/restauro de móveis, proporcionando o desenvolvimento de competências pessoais, sociais e profissionais, apresentando-se como uma ferramenta capaz de reconverter situações de sem-abrigo, tudo acompanhado por técnicas de apoio ao emprego a medidas ativas de formação.
Acresce ao projeto a edificar, os serviços de técnicos especializados em várias áreas, reunidos numa equipa multidisciplinar, através de atendimento/acompanhamento psicossocial para responder às necessidades dos beneficiários.