O grupo municipal da CDU, em comunicado à imprensa, considera «criticável» a forma como a maioria municipal PSD/CDS e o Governo do PS conduziram o processo da central fotovoltaica de Outiz/Vilarinho das Cambas. A CDU diz que falta «clareza, transparência e envolvimento da população», numa matéria que, no seu entender, assim o exigia.
«É incompreensível que em nome da transição energética e da defesa do ambiente seja posta em causa a degradação de solos férteis, abrindo caminho ao desmatamento de floresta autóctone, ameaçando a biodiversidade e os serviços de ecossistemas que estes espaços naturais promovem, quando projetos desta natureza poderiam facilmente ocupar espaços já construídos», considera a CDU. Acrescenta que respostas para travar as alterações climáticas são necessárias mas não aquelas que vêm acrescentar ao problema.
Quanto ao facto do município de Famalicão ter emitido um comunicado sobre o assunto, a CDU diz que foi depois da decisão estar tomada e «apenas em reação à polémica instalada».
«O comunicado da Câmara Municipal limita-se a enquadrar juridicamente o processo», mas, na opinião da CDU, «a questão coloca-se essencialmente no plano das opções políticas, que não servem os interesses dos cidadãos, que exigem, cada vez em maior força, o respeito pelo equilíbrio ecológico e ambiental», afirma.
No comunicado, a CDU critica o corte de sobreiros e de carvalhos alvarinhos, numa área de Reserva Ecológica Nacional, «e que abrange as cabeceiras das linhas de água e áreas com risco de erosão». Recorda que em 2011, o sobreiro foi consagrado a Árvore Nacional de Portugal, pelo seu valor económico, social e ambiental.
A CDU diz que é preciso continuar a defender o Monte do Facho, contra «a especulação imobiliária que tem assaltado este espaço e tem assumido prioridade errada, com a conivência da Câmara Municipal».
Em conclusão, a CDU afirma que o «capitalismo não é verde, e este investimento demonstra-o de forma inequívoca».