Atualmente vivem em Famalicão 128 ucranianos refugiados da guerra. Já foram 156, mas entretanto alguns regressaram ao seu país e outros foram para concelhos onde têm família e amigos.
Cerca de meia centena de cidadãos ucranianos frequenta as aulas de Português Língua de Acolhimento; alguns estão a trabalhar, tendo procurado emprego por iniciativa própria ou por intermédio do IEFP e da Câmara Municipal de Famalicão.
Apesar de reconhecer que os primeiros tempos foram difíceis, a vereadora da Interculturalidade e Integração, Sofia Fernandes, diz que «o balanço é ótimo. Nós temos tido muitos apoios, notamos que as próprias famílias ucranianas que já cá estavam acolheram-nos muito bem», realça.
Júlia é uma cidadã ucraniana que reside em Famalicão desde março, com dois filhos, de 6 e 10 anos de idade. O marido ficou em Kiev e ela aguarda em Famalicão pelo restabelecer da paz. «Gosto muito de morar em Portugal, gosto das pessoas. Os portugueses são muito acolhedores», expressa Júlia, em língua portuguesa que aprende na escola, e através da qual já comunica muito bem.

Foram várias as famílias que receberam cidadãos ucranianos, refugiados da guerra. São essencialmente mulheres e crianças, porque os homens foram obrigados a ficar. Um dos casos é Francisca Magalhães que acolheu uma mulher de 32 anos com um filho de três anos. «Está a ser uma experiência muito boa», relata. Admite que a princípio houve necessidade de adaptação de ambas as partes porque são culturas diferentes, «mas com o tempo começamos a construir relações de amizade e afeto», confessa.
Estes dados foram avançados num colóquio esta quinta-feira, na Casa do Território, promovido pelo município de Famalicão, no âmbito da Rede Portuguesa de Cidades Interculturais de que Famalicão faz parte.