A criação do Museu Etnográfico Português teve o patrocínio de Bernardino Machado. Quando José Leite de Vasconcelos lhe apresentou o projeto, a resposta foi: “abraço vivamente a sua ideia”. Hoje, esta frase é mote para uma exposição que se refere a este momento importante para a história dos museus nacionais.
A exposição, que tem por tema «Abraço vivamente a sua ideia. Bernardino Machado, José Leite de Vasconcelos e os Museus em Portugal», foi inaugurada na sexta-feira, dia 14, no Museu Bernardino Machado, e estará patente até dia 23 de abril, com entrada livre.
Esta mostra resulta de uma parceria entre o Município de Vila Nova de Famalicão, o Museu Nacional de Arqueologia e a Imprensa Nacional – Casa da Moeda e conta com o Alto Patrocínio do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
«Podemos assim dizer que esta exposição, que tem como base o espólio preservado no Museu Bernardino Machado, e em peças do acervo do Museu Nacional de Arqueologia, é ela um achado arqueológico, e uma noção de património, na medida em que descobre, ou antes, nos faz descobrir, um património, e uma noção de património», refere a propósito o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
Planificada primeiramente para o Mosteiro dos Jerónimos, local onde se encontra instalado o Museu Nacional de Arqueologia, acabou por ter a sua inauguração em Famalicão porque o Museu Nacional de Arqueologia encontra-se em obras.
A inauguração contou com a presença do edil famalicense, do Diretor-geral do Património Cultural, João Carlos dos Santos, do Diretor do Museu Nacional de Arqueologia, António Carvalho, e do coordenador científico do Museu Bernardino Machado, Norberto Cunha. «Trata-se de uma feliz iniciativa que orgulha o nosso município e que reflete o trabalho cultural que tem sido desenvolvido no concelho, nomeadamente ao nível do estudo, investigação e valorização das suas figuras mais preminentes, principalmente aquelas que, como Bernardino Machado, deram um contributo líquido para a evolução do pensamento e da cultura portuguesa», destacou o presidente da Câmara Municipal, Mário Passos.
O Diretor-geral do Património Cultural, João Carlos dos Santos, salientou a parceria profícua entre as entidades envolvidas neste processo, nomeadamente as unidades museológicas. «Mais do que uma exposição organizada por um museu, que solicitou e acolhe bens de outros museus, é uma exposição organizada, de raiz, em conjunto, por dois museus que foram ao encontro um do outro e estabeleceram um diálogo entre as duas coleções», referiu.
Já o diretor do Museu Nacional de Arqueologia realçou que «em bom rigor, a fundação do Museu Ethnographico Portuguez é o testemunho de uma parceria iluminada e virtuosa entre duas personalidades históricas», comentando que as boas relações existentes entre o museu que dirige e o Museu Bernardino Machado resultaram num «diálogo feliz entre duas coleções de dois museus nacionais».
A este propósito, o diretor do Museu Bernardino Machado, Norberto Cunha, disse que «é uma exposição que nos faz fruir de uma amizade de duas almas de eleição».
A mostra resulta de uma candidatura ao projeto ProMuseus – Programa de Apoio Financeiro a Museus da Rede Portuguesa de Museus (Direção-Geral do Património Cultural / Ministério da Cultura), que originou um financiamento na ordem dos 30 mil euros, que corresponde a cerca de 60% do total investido, sendo que o restante valor será suportado pelos três parceiros envolvidos.