Óscar Felgueiras, especialista em epidemiologia da Universidade do Porto, em declarações à Lusa, afirmou esta sexta-feira que a tendência de crescimento de novos casos covid-19 «não é um fenómeno momentâneo» e que perante o ritmo de transmissibilidade, é urgente proteger os mais idosos e vulneráveis.
«Ao ritmo a que vamos, não é de todo provável que evitemos atingir os 30 mil novos casos», disse o especialista que não perspetiva, para já, um abrandamento. Esta quarta-feira, segundo Direção-Geral da Saúde (DGS) foram registados no país 24.866 novos casos de infeção e 25 mortes por covid-19.
Óscar Felgueiras, que integra a equipa responsável pelo livro “Covid-19 em Portugal: a estratégia”, lançado esta sexta-feira na Universidade do Minho, nota que a incidência de novos casos está concentrada nas faixas etárias mais jovens, população que ainda não teve dose de reforço da vacina, defendendo, por isso que é urgente proteger os mais idosos e vulneráveis pela vacinação. Recorde-se que a DGS já anunciou que os idosos com mais de 80 anos e os residentes nos lares vão ser vacinados com a segunda dose de reforço a partir de segunda-feira, segundo recomendação da Comissão Técnica de Vacinação Contra a Covid-19, que afirma que o objetivo é melhorar a proteção da população mais vulnerável face ao atual aumento da incidência de casos de SARS-CoV-2 no país.
Ainda à Lusa, o especialista deu nota da grande circulação do vírus que se reflete em «níveis nunca antes vistos» da positividade (acima dos 40%) e, simultaneamente, na mortalidade, «acima do desejável».
De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde divulgados na quinta-feira, Portugal ultrapassou os quatro milhões de casos confirmados de infeção pelo coronavírus SARS-CoV-2 desde o início da pandemia.

