O Castro de S. Miguel-o-Anjo, na freguesia de Calendário, foi espaço de vivência humana desde o segundo milénio a. C. A confirmação decorre após a conclusão dos trabalhos de escavação realizados entre fevereiro e dezembro do ano passado, tendo sido identificadas estruturas medievais nomeadamente sepulturas e alguns muros que poderão ter pertencido ao edifício fortificado, tantas vezes associado ao local. Refira-se que o Castro de S. Miguel-o-Anjo se encontra classificado como imóvel de interesse público desde 1990.
Os trabalhos foram coordenados por uma equipa de arqueólogos, com o apoio e logística do Gabinete de Arqueologia do Município de Famalicão bem como com a participação de voluntários do Banco de Municipal de Voluntariado. As escavações concentraram-se na parte mais elevada do povoado (Acrópole), onde foram intervencionados três setores, criteriosamente selecionados para obtenção da maior quantidade de dados possível.
Para as além das descobertas arqueológicas que permitiram comprovar que o local teve ocupação humana, também se detetaram estruturas circulares relacionadas com a Idade do Ferro, mas muitas foram destruídas para que as suas pedras fossem reaproveitadas na construção dos edifícios medievais. Ficou, contudo, nos níveis de revolvimento uma grande quantidade de espólio cerâmico indício de que a acrópole teve uma forte ocupação durante a este período cronológico. Já da Idade do Bronze recolheram-se materiais cerâmicos e pétreos que sugerem a possibilidade de se poderem identificar níveis de ocupação daquela época.
Para o presidente da Câmara Municipal, Mário Passos, os resultados obtidos com estes trabalhos «permitiram confirmar a importância do local possibilitando também, o arranque da valorização do espaço, que se encontra em fase de projeto, e se vai associar a outros projetos em curso por parte do município, como por exemplo a rede de trilhos atualmente em desenvolvimento pelo Pelouro do Desporto».
Entretanto, foram já colocados painéis informativos no Monte de São Miguel-o-Anjo marcando cada um dos acessos com um painel de sensibilização e informação ao visitante, destacando a entrada em Zona Arqueológica, espaço de cultura onde os trajetos devem respeitar os vestígios e a proteção do património, estando, também os comportamentos em harmonia com a fauna e a flora existentes. No topo do Monte, painéis acolhem e identificam a memória do espaço, com informação que permitirá o reconhecimento de uma história, identidade e herança comuns, e uma fruição de um espaço onde a cultura e o ambiente se unem.

