A Casa da Memória Viva (CMV) tem abertas, até sábado, as candidaturas ao Programa de Mentoria de Cuidadores de Pessoas com Demência, intitulado “Vidas Partilhadas”. Tem capacidade para 16 participantes – oito cuidadores informais e outras tantas pessoas com demência por eles cuidadas, residentes no concelho de Famalicão.
A capacitação vai decorrer ao longo de 11 meses, entre 14 de março e 27 de fevereiro, nos Bombeiros Voluntários Famalicenses. Estão previstas 22 sessões, com periodicidade quinzenal, quase sempre ao sábado, às 15 horas. Em agosto haverá uma interrupção. As ações para cuidadores e pessoas com demência vão decorrer em paralelo.
Entre outros, nas sessões para cuidadores serão abordados temas como identidade e direitos legais, comunicação, planeamento de cuidados, estimulação cognitiva, nutrição e disfagia, ocupação e participação na vida social, redes de apoio, conforto e bem-estar (incluindo autocuidado). Já para as pessoas que vivem com demência, está contemplada a expressão artística, a musicoterapia, a leitura, a escrita e a criação literária, jogos e exercícios de motricidade, entre outros.
A direção técnica do programa é coordenada pela terapeuta ocupacional Cristiana Sousa, profissional com vasta experiência na prestação de cuidados hospitalares e domiciliários a pessoas com demência.

A apresentação da iniciativa decorreu no passado sábado, no auditório da Junta da União de Freguesias de Famalicão/Calendário, e contou com a participação do vereador das Freguesias e Economia e Empreendedorismo da Câmara Municipal, Augusto Lima, em representação do município. No final, o autarca afirmou que «estamos perante um projeto de inovação social que tem tudo para fazer a diferença na vida dos cuidadores e das pessoas cuidadas que nele se envolverem».
Para Carlos Sousa, presidente da direção da associação promotora, este «é um programa estruturado de aprendizagem e desenvolvimento de competências pessoais para cuidadores informais centrado na pessoa que vive com demência». E fio pensão, acrescentou, «tendo em conta a situação vivida no concelho nesta área e os pedidos de suporte que cuidadores e famílias nos vão fazendo».
A iniciativa resulta de uma parceria entre a CMV e a LembrArte – Equipa Terapêutica de Apoio à Demência, com um leque de profissionais de saúde.
Segundo a organização, o orçamento global do programa ascende a quase cinco mil euros e, no essencial, é viabilizado pelas quotas dos associados, pela venda da serigrafia evocativa dos 50 anos do ‘Verão Quente’ de 1975 que a associação editou no ano passado e de mecenas”.
Inscrições através de formulário em papel na sede da CMV, sita na Rua de S. João de Deus, 116 – 2.º sala 3 (edifício da loja dos CTT de Famalicão), nesta quarta-feira, dia 25, ou fá-lo por via digital, submetendo o formulário disponível em https://forms.gle/FNeNXvgp1cSXwAU87. O custo de participação é de 100 euros, os associados pagam metade.
Recorde-se que a Casa da Memória Viva foi criada em maior de 2019, com o objetivo de salvaguardar e valorizar a memória na, da e pela comunidade famalicense. Tem privilegiado ações de sensibilização e informação sobre prevenção e impactos das formas mais comuns de demência; trabalhar a capacitação de cuidadores e familiares de pessoas com défice cognitivo; pugna, também, pela salvaguarda e valorização da memória identitária de Famalicão.