A Comissão Política Concelhia do PAN Famalicão considera que o executivo PSD/CDS deve «um cabal esclarecimento» aos famalicenses relativamente «à decisão de alteração da Unidade de execução, na área envolvente ao Palácio de Justiça de Famalicão». A 29 de janeiro o PAN já tinha endereçado um ofício a solicitar esclarecimentos, mas adianta que ao momento não recebeu qualquer resposta.
Em comunicado, o PAN lembra que em 2022, na abertura de consulta pública, enviou propostas e que o mesmo fez a comunidade famalicense. Em face dessa consulta pública, recordam que a Câmara Municipal deliberou que a parcela B do terreno em causa, onde agora é anunciado a abertura de um hipermercado, deixaria de ter uso exclusivo para comércio, algo que estaria a ser reivindicado nas participações. Mas, depois, terá alterado tudo. Para o PAN, a «participação cívica vale zero para a maioria PSD/CDS». Além de não aceitarem as «nossas propostas», refere o PAN, ainda contrariam o deliberado na altura. «Isto é grave e incompreensível», acusa.
Segundo a porta-voz da concelhia, Sandra Pimenta, esta situação «revela que as consultas públicas não passam de um tapar de olhos sobre um suposto interesse desta maioria de direita em ouvir a população famalicense.» Acrescenta que «temos graves problemas de acesso à habitação, já na altura sugerimos que esta zona, a construir, deveria focar a habitação a custo acessível».
Além dos esclarecimentos, a concelhia do PAN considera «uma arrogância total as declarações do Presidente Mário Passos, que além de não cumprir com a palavra ainda vem tentar passar um atestado de estupidez às pessoas, dizendo que estas “estão a ter dificuldade em acompanhar o desenvolvimento”.»
Sandra Pimenta entende que «pedir a participação dos e das famalicenses nesta discussão pública, alegadamente reconhecer o valor das suas sugestões e acabar por fazer tábua-rasa das mesmas é alimentar a descrença nas instituições, passar um atestado de menoridade aos e às famalicenses, promover frustrações e alimentar a onda crescente de populismo que varre o país. É um mau trabalho para o concelho e corrói a democracia local».